Quando penso em você fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa, menos a felicidade
Correm os meus dedos longos em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego já me traz contentamento
Pode ser até manhã, cedo claro feito dia
Mas nada do que me dizem me faz sentir alegria
Eu só queria ter no mato um gosto de framboesa
Prá correr entre os canteiros e esconder minha tristeza
Que eu ainda sou bem moço prá tanta tristeza
E deixemos de coisa, cuidemos da vida,
Pois se não chega a morte ou coisa parecida
E nos arrasta moço sem ter visto a vida.
Ensaio Sobre a Cegueira, novo filme do diretor Fernando Meirelles (veja a entrevista aqui e aqui), continua causando polêmica. Mesmo depois de ter diminuído a violência das cenas mais fortes, o cineasta brasileiro vai enfrentar a ira de um grupo de deficientes visuais, agora que o longa está prestes a estrear nos cinemas dos Estados Unidos.
"O filme mostra os cegos como monstros e eu acho que isso é uma mentira", disse Marc Maurer, presidente da Federação Nacional dos Cegos, baseada em Baltimore. "A cegueira não transforma as pessoas decentes em monstros."
Segundo matéria publicada em jornal local, a organização planeja um protesto a partir dessa sexta, com os integrantes da federação e seus aliados distribuindo panfletos e carregando placas dizendo, por exemplo, o slogan "Eu não sou um ator, mas eu faço um cego na vida real."
Segundo a associação, o filme firma estereótipos falsos, como que os cegos não conseguem cuidar de si mesmos e estão sempre desorientados. "Nós temos uma taxa de desemprego de 70% e outros tipos de problemas sociais porque as pessoas acham que nós não podemos fazer as coisas, e o filme não vai ajudar o nosso caso", disse Christopher Danielsen, um porta-voz da organização.
Os manifestantes não parecem fazer esforço algum para entender o trabalho de Meirelles ou a obra-prima de José Saramago - publicado há mais de uma década - que não pregam contra os cegos de modo algum, mas sim mostram a condição humana em momentos de extrema dificuldade.
"Não sou que sou o palhaço, mas sim esta sociedade mostruosamente cínica e tão inconscientemente ingênua, que joga o jogo da seriedade para melhor esconder sua loucura."
Igreja de Ribeirão Preto vai aceitar dízimo pago em cartão de crédito
Do UOL Notícias Em São Paulo
As filas cada vez maiores na secretaria de atendimento da Catedral Metropolitana de São Sebastião, no centro de Ribeirão Preto (SP), motivaram a reforma modernizatória: transferir a secretaria para uma sala maior, com ar condicionado, banco de espera (com direito a revistas), máquina de café, senha eletrônica e duas máquinas de cartão - Visa e Mastercard - para melhor atender à clientela exigente.
"As pessoas que vinham aqui agendar casamento ou batizado perguntavam cada vez mais se podiam pagar com o cartão. Hoje em dia é díficil as pessoas andarem com dinheiro no bolso", conta Francisco Jaber Zanardo Moussa, o Padre Chico, responsável pela paróquia. Outra vantagem do cartão, ele explica, é diminuir o dinheiro físico dentro dos cofres da igreja, onde furtos já foram registrados.
A Catedral de São Sebastião, em Ribeirão Preto, passará a aceitar pagamentos em cartão
As máquinas também serão utilizadas para o pagamento do dízimo. Mas a modernização tem seus limites. Padre Chico frisa que o espaço de utilização será restrito à secretaria; por conseqüência, a máquina não vai substutuir a tradicional cestinha de contribuição passada durante as cerimônias: "A missa tem um sentido eucarístico, cerimonial, não posso colocar uma máquina lá no meio", diz.
A nova sala de atendimento receberá a benção inaugural nesse domingo e começará a funcionar na segunda-feira. Na antiga secretaria, será instalada uma lojinha de artigos religiosos, conta o padre empreendedor.
Na nova secretaria, haverá três guichês (a antiga tinha só dois): um para informações e atendimento de rotina, outro para sacramentos (batizado, primeira eucaristia, crisma, casamento) e um terceiro, onde ficará um padre, voltado para atividades exclusivas como bênção de imagens e terços, dúvidas específicas, entre outros assuntos.
O fim da peste O padre calcula que o movimento da paróquia, que motivou toda a mudança, começou a crescer de um ano para cá, depois que bandos de pombas foram espantados da praça onde fica a catedral, no centro da cidade. "Antes a igreja era muito suja, havia uma população de mais ou menos 30 mil pombos por aqui", afirma.
Padre Chico conta, orgulhoso, que foi o responsável pelo fim da peste e o retorno dos fiéis. Decidido a dar um fim nas aves, se inspirou em Sertãozinho (SP), onde foi usado um repelente à base de extrato de uva para espantar as pombas.
O Ibama, no entanto, não deixou que a experiência se repetisse em Ribeirão Preto. O padre recorreu, então, às lembranças da infância na roça, quando a família usava bombinhas de festa junina para espantar as rolinhas das plantações. "Pensei: se bombinha espanta rolinha, então foguete vai espantar pomba, que é maior".
O padre conta que as pombas usavam a praça como dormitório e chegavam ao local por volta das 18h. "Todo dia às 18h, eu soltava um rojão e elas fugiam. Por volta das 19h, elas voltavam e eu soltava outro", conta. A saga durou seis meses. "Hoje não tem mais nenhum pombo na praça", comemora.
De lá para cá, o movimento da catedral triplicou. "Antes eu comprava de 1.800 a 2.000 hóstias por fim de semana, hoje compro de 3.500 a 4.000".
"o mais simples acto surrealista consiste em ir a rua com pistolas em punho e disparar ao acaso para a multidão o mais possível. Qualquer pessoa que nunca tenha tido o desejo de lidar desta forma com o ignóbil princípio actual da humilhação e da estultificação pertence obviamente a essa multidão com a barriga a altura das balas."
Para aqueles que resolveram se resolver nesses últimos tempos, que entre amigos, conhecidos e próximos, contei 5 ou 6 nesses últimos dois anos!
... eh Léo ...
A vida é doce...
Nava
O suicídio é a única questão filosófica, disse Camus. O homem é o único animal que resolve se matar. Que resolve se resolver. O suicídio é ao mesmo tempo um gesto de desistência e de rebeldia. O homem sabota os desígnios que seus tecidos tinham para ele. Se adianta, denuncia a trama na metade, conta o fim da história antes que ela acabe, corta essa. O suicídio é antinatural. Não estava previsto na criação. É um desafio ao sistema. O suicida não está sob nenhuma jurisdição salvo a da sua vontade. É como a masturbação: só cortando as mãos. O suicídio é o supremo paradoxo humano, porque é o último. Não é, como na piada, a autocrítica levada longe demais. O homem se mata para se preservar. Para se desagravar. Para dar uma lição nos outros cujo efeito nos outros ele não vai ver. O suicídio é uma usurpação. O suicida improvisa o próprio cadáver antes que o tempo o faça. É uma extrapolação. Nossa função não é esta. Estamos aqui para ser, sem perguntas. O corpo não é nosso, só temos o usufruto. A vida é a despeito de nós. Este coração pulsando, esta fome, pertencem a outra ordem, que não é da nossa conta. O suicídio é uma intromissão indébita nesse processo lento e obscuro das células e dos astros. Já que não o desvendamos, o explodimos. A gente não vive, a gente é vivida. Não somos as nossas células se decompondo, somos o que contempla a própria degeneração, perplexo. Não somos o cérebro nem a mão que leva a arma ao cérebro, mas somos, finalmente, definitivamente, o que puxa o gatilho. Mas por que um homem de 80 anos se suicida? Num homem de 80 anos o suicídio é quase tão escandaloso quanto uma aventura amorosa. Não se faz. Aos 80 anos um homem já devia ter a sua perplexidade ajustada, num lado, como uma hérnia inoperável. Já devia ter passado por todas as rupturas perigosas - do desespero, da auto-indulgência - que fazem os moços se matarem. Pode se suicidar de impaciente, mas a impaciência também é coisa de moço. Pensei que houvesse uma glândula, algum dispositivo, que na velhice nos reconciliasse com esta coisa que acontece em nós, e da qual não sabemos a metade, que é uma vida finita. Não há. Merda, não há.
O que se faz no universo paralelo não é poesia logo... para aqueles poucos que lerem os devaneios abaixo não é necessária a comparação com grandes clássicos da literatura brasileira, portuguesa ou similares. Não percam tempo com isso, ou melhor não percam tempo lendo isso.
O extraterrestre de tênis
Direto do Universo Paralelo
Eu vejo um mundo estranho
Onde as pessoas sem valor é que são valorizadas
Onde as sem caráter ou moral
É que são aclamadas
Onde as pessoas ladras e oportunistas
É que são eleitas
Onde o jeito certo
(ou ao menos que parece certo)
É o errado
E o errado dá sempre certo
Eu vejo hipocrisia e indiferença
Eu vejo o “filho pródigo” ser recebido com festa
Pois era um desviado que se tornou “reto”
E precisa de estímulo
Enquanto o “filho dedicado”
Não precisa de estímulo
Pois nunca caminhou errado
E acreditam que ele sempre será assim
Mesmo sem ser estimulado
(Inércia)
Eu vejo um mundo que crê num ente de extrema bondade
Porém é um mundo atroz
Vil e interesseiro
(Paradoxo)
Que mata seu “irmão” se “necessário”
Seja lá o que necessário signifique neste mundo
Eu vejo a ignorância imposta
E a ignorância optada
Eu vejo a televisão
(Imposta)
E uma visão televisiva
(Por vezes optada)
Eu vejo pessoas se exasperarem com o mau/mal da/na novela
E não com o mau/mal no/do mundo
(Normal)
Eu vejo um mundo diverso
E ao mesmo tempo intolerante e preconceituoso
(Paradoxo)
Eu vejo um mundo que produz e vive entre seus excrementos
Como pode ser gostar de alguém E esse tal alguém não ser seu Fico desejando nós gastando o mar Pôr do Sol, postal, mais ninguém
Peço tanto a Deus Para esquecer Mas só de pedir me lembro Minha linda flor Meu jasmim será Meus melhores beijos serão seus
Sinto que você é ligado a mim Sempre que estou indo, volto atrás Estou entregue a ponto de estar sempre só Esperando um sim ou nunca mais
É tanta graça lá fora passa O tempo sem você Mas pode sim Ser sim amado e tudo acontecer
Sinto absoluto o dom de existir, não há solidão, nem pena Nessa doação, milagres do amor Sinto uma extensão divina
É tanta graça lá fora passa O tempo sem você Mas pode sim Ser sim amado e tudo acontecer Quero dançar com você Dançar com você Quero dançar com você Dançar com você
A Fabi, uma de nossas comentaristas, trouxe um mimo de notícia que retrata o potencial de burrice credulidade das pessoas: Foi descoberto uma árvore que chora no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro!
Como vocês podem imaginar, isso deu o que falar. Um punhado de gente ficou que nem um bando de manés admirando aquela coisa “maravilhosa” do Senhor, pois tava na cara que era um milagre divino!
Várias pessoas começaram a fazer peregrinações à “Arvore Santa”, pedir proteção (nos dias de sol forte, realmente é uma boa idéia), se benzeram com a água e até (eca!) beberam a dita cuja! Para não dizer que eu estou inventando isso, já que não saiu a notícia em nenhum lugar por enquanto, taqui o vídeo do jornal da Band News que traz esta hilária notícia:
Viram? Mesmo depois que o pessoal da CEDAE averiguar que não passava de um cano rompido, tem gente que AINDA acredita ser uma mensagem de salvação. Isso é o que? Burrice? Estupidez? Alienação? Vontade que uma árvore caidinha seja a solução dos problemas?
É curioso ver o ser humano se apegando a qualquer coisa, colocando cartazes de “Faça Seu Pedido”, implorando para que uma água saindo dentro de uma árvore seja o fim de todos os problemas.
E este não é um caso isolado. Em Coelho Neto, lá pra dentro do Maranhão, ocorreu fato semelhante em julho deste ano. Uma mangueira (nome sugestivo para uma árvore que sai água) tava gotejando água. Sabem como é… o Rio de Janeiro é uma cidade mais rica e suas árvores podem se dar ao luxo de desperdiçar água.
Dezenas de pessoas passam os dias a observar uma árvore que derrama água em abundância e já está sendo apontada como milagrosa. Localizada na praça Tancredo Neves, a mangueira jorra gotas de água sem cessar há quase uma semana, formando um quadro de chuvisco.
Com bacias, baldes e garrafas, todos querem levar um pouco do líquido para casa. A água, os moradores juram de pé juntinho ser benta. Alguns ficam por horas embaixo da árvore para juntar um pouco da água. Outros afirmam que há até pessoas que dormem embaixo da árvore para receber a “benção divina”. Duvidam? Passou na Globo:
Obviamente, cientistas descartam motivos sobrenaturais, mas quem quer ouvir um cientista, se a ilusão de que um cara lá pra cima (ou lá embaixo, vai saber) anda olhando por nós é tentadora. Mesmo quando estas pessoas estão na miséria, passando fome, sem remédios e saneamento básico, se deleitam em saber de uma ridícula possibilidade que uma entidade qualquer as ajuda.
Isso seria engraçado, mas é lamentável ver seres humanos assim, brigando por gotas de uma árvore que tem efeito placebo e que, em fato, não ajudará em nada na suas vidas.
Sentada numa simples cadeira de madeira e vestida com um fato de homem cinzento (Self-Portrait with Cropped Hair - 1940), a autora encontra-se rodeada de molhos de cabelo. Tudo o que simbolizava a sua feminilidade - o seu belo cabelo e os seus vestidos coloridos - desapareceu. No topo do quadro, por cima de uma pauta musical, lêem-se as letras amargas: «Olha, se te amava, era pelo teu cabelo. Agora que estás careca, não te amo mais». Este quadro foi feiro num período de profundo desespero, quando Khalo se divorciava do marido, o famoso muralista Rivera. Acidentes e doença atravessaram a vida de Khalo, e os seus muitos auto-retratos centravam-se de forma agustiantemente pessoal nas suas experiências intensas e perturbações psicológicas. Tendo criado um estilo de fusão entre a arte tradicional hispano-americana e as experiências dos surrealistas (que consideravam o México o mais "surreal" dos lugares), participou activamente na política e arte do seu país, numa época em que a arte mexicana conheceu uma animação excepcional. Frida Khalo nasceu em Coyoacán, no México, em 1907 e morreu na Cidade do México em 1958.
Mais ajustado, mais feliz, mais produtivo, Confortável
Não bebendo demais, Exercícios regulares na academia (3 dias por semana), Relacionando-se melhor com seus atuais sócios e empregados, pelo menos, comendo bem (nada de jantares de microondas e gorduras saturadas) um motorista melhor e mais paciente, um carro mais seguro (bebê sorrindo no banco de trás), dormir bem (nada de pesadelos), nada de paranóia, preservar todos os animais (nunca se livrar de aranhas pelo buraco da tomada), manter contato com velhos amigos (curtir um drink de vez em quando), Frequentemente checar crédito no (moral) banco (buraco na parede), favores por favores Carinhoso, mas não apaixonado, Contribuir com a caridade, Fazer compras no supermercado aos domingos (nada de matar traças ou jocar água fervendo nas formigas), lavagem do automóvel (inclusive aos domingos), Não mais temer o escuro ou as sombras do meio dia nada tão ridiculamente adolescente e desesperado, nada tão infantil - num ritmo melhor, mais devagar e mais calculado, sem chance de escape, agora autônomo, preocupado (mas impotente), um membro informado e ativo dentro da sociedade (pragamatismo, não idealismo) não chorar em público, menos chances de adoecer, Pneus anti-derrapantes (livrar-se do bebê amarrado no banco de traseiro) uma boa memória, ainda chorar num bom filme, ainda beijar com saliva, não mais vazio e frenético como um gato amarrado a um pau, que é levado à merda de um inverno congelado (a habilidade de rir da fraqueza) calmo, mais ajustado, mais sadio e mais produtivo um porco numa gaiola sob o efeito de antibióticos.
...E existe todo dia uma hora da noite Em que um trem no meu peito me diz: A água um dia vai cair Lá do céu azulzim E com certeza vai estar Molhadinha E aqui vai virar um lamão E nessa hora eu não quero nem saber Quem foi que escolheu morar aqui Tudo o que sei é que não fui eu, Não fui eu, não, sim sinhô! Por aqui o melhor e mais completo Vamo logo ser direto: Tá em falta, tem mas acabou... E o meu sonho de consumo Tem que encomendar primeiro E esperar um ano inteiro Ainda rezando pra chegar...
Existem coisas na vida Alzira Espindola / Itamar Assumpção
Existem coisas na vida Das quais até Deus duvida, Tem beijos de boas vindas, Tem beijos de despedida.
Tem choro, coro, decoro, Entrada não tem saída, Tem forum,falta de coro, Tem um toque de Midas.
Tem quem apronte um salseiro, Tem gente muito querida, Tem cara de pau de monte, Morte por uma dívida. Tem tanta coisa pra ontem.
Existem coisas na vida Das quais até Deus duvida, Tem quem não tenha guarida nas vielas e avenidas.
Tem olho da rua, becos, Tem ouro de tolo,um touro, Tem vaca e mulher parida.
Tem gente que é só sucesso, Como tem gente falida, Tem gente que não tem berço, Bandido, gente excluída.
Tem gente muito valente. Tem gente só suicida. E por ter gente demente, Tem gente que é prevenida. Tem coisa que segue em frente, Tem coisa já falecida.
Existem coisas na vida Das quais até Deus duvida é o diabo a quatro querida.
Existem coisas na vida Das quais até Deus duvida é o diabo a quatro querida.